O Que Aprendi Depois De um Detox de 7 Dias do Instagram



Praia da Comporta - verão de 2018



A palavra detox, sendo uma das palavras que está tão em voga atualmente, nunca foi uma palavra que fizesse muito sentido para mim.

Talvez porque nunca tinha sentido que tivesse uma adição tão forte nalguma coisa, que precisasse de fazer uma desintoxicação.

A verdade é que ainda que inconscientemente nos viciamos nas redes sociais. 

Dependemos delas, dos likes, das notificações, das fotos, das notícias.

Alimentamo-nos do que partilham amigos, conhecidos e desconhecidos como se estivessemos todos numa sala tão cheia de gente que se torna claustrofóbica.

Apesar de uma percentagem alta de pessoas viverem com intensidade as redes sociais, quem trabalha mais diretamente com elas como é o meu caso e de outros, acaba por criar uma relação ainda mais íntima e de quase simbiose.

Clichés à parte. É uma relação de amor-ódio.

Quis testar-me. Quis ser um daqueles ratinhos de laboratório e sentir na pele como é estar privado do Instagram.

Isto poderia servir para outras redes sociais, como o Facebook, por exemplo. Mas o tempo que passo aí é praticamente residual.

Aqui ia eu a caminho de uma vida mais ou menos analógica e perceber as diferenças. E, se possível, aprender uma lição e descobrir coisas diferentes. Era esse o mote.

Seria capaz? No início achei logo que sim. Ia ser canja!

O primeiro passo, foi apagar a aplicação do telemóvel, para não cair em tentações.

As primeiras horas foram estranhas. Parecia que havia um gatilho interior que me levava ao telemóvel.

Tive vontade quase absurda de ir ver as notificações, os likes, as fotos que carregaram, não sei quantas vezes.

Ok, iam ser uns longos sete dias.

O fator psicológico de saber que não o devia fazer aguçava ainda mais a minha vontade.

A mente humana é mesmo cheia de contornos, não é?

Afinal não era assim tão fácil.

Aproveitei e fui ler o livro que deixei a meio há mais de duas semanas atrás.


- Lição do primeiro dia:

O questionamento.

Por que motivo escolhemos ativamente ir a lugares virtuais e olhar para fotos que à partida sabemos que não nos vão deixar assim tão inspirados, nem tão bem quanto isso?

Será que a nossa vida humana foi feita para sabermos o que não sei quantas centenas de pessoas diferentes estão a fazer ao mesmo tempo?

Não estou com isto a querer dizer que devemos todos desistir em massa do Instagram.

Mas, ao invés disso, escolhermos o que contribui para que nos sintamos bem na nossa pele e, sobretudo, na nossa vida com todos os ingredientes que fazem dela única.

Nós somos os autores da forma como vamos escrevendo a nossa estória e, à medida que vamos sentido o apertar de gatilhos que despertem negatividade, devemos imediatamente abandoná-los.

O Instagram, várias vezes, acaba por despertar pensamentos mais tóxicos.

- Ao terceiro dia:

O barulho.

Percebi que o meu cérebro, é um lugar barulhento e multifacetado.

E porque é que é tão barulhento? Perguntei-me.

Talvez pela minha necessidade constante de mudar de foco.

Quando foi a última vez que viram um bom programa de TV? Ou uma série, ou um filme? – São questões fáceis de responder. 

Mas vou dificultar. Quando foi a última vez que fizeram isso sem verem as notificações do telemóvel? Sem ver uma rede social, responder a uma mensagem...?

Consegui fazer uma coisa que não fazia há algum tempo, ver episódios completos de séries sem interrupções, mudanças de foco e incentivos para verificar o que o desconhecido X e a desconhecida Y estiveram a fazer assim de tão interessante nos últimos 30 minutos.

- Quarto dia:

A questão da série, transpôs-se para outros campos. Quantas vezes não dei atenção total a alguém porque estava distraído com o telemóvel? Muitas vezes!

- Quinto dia:

Coisas que fiz com o meu total foco, sem distrações:

  • Ouvi mais música (habitualmente já ouço muita), mas desta vez sem interrupções;

  •  Dormi melhor;

  • Falei mais comigo;

  • Fiz mais exercício físico;

  • Enviei mais mensagens a amigos e a familiares;

  • Esqueci-me várias vezes do telemóvel (o que não é frequente);

  • Investi mais tempo a criar novos conteúdos para o blogue.

- Sexto dia:

Senti, efetivamente, que a minha mente se encontra mais calma e mais no controlo das interações que tenho, seja com alguém no elevador, em contacto com familiares e amigos e com os meus próprios pensamentos.

- Sétimo dia:

 O último dia desta experiência.

Pensamentos finais para um retorno digital.

  • Dosear o tempo que passo na rede social. Tirá-la do ecrã principal e colocá-la noutro local qualquer mais inacessível;


  • Desativar todas as notificações;


  • Deixar de seguir quem efetivamente não serve para o meu próprio bem estar. A verdade é que não há necessidade de nos envolvermos em vidas que não nos acrescentam nada de extraordinário;


  • Continuar o meu caminho, acreditando nele o mais possível;


  • Ser uma influência positiva para os outros e aquilo que eu gostaria de ver partilhado também;

  • Não ceder a pressões de marcas, nem a tendências. Seguir somente a minha visão e o que faz sentido para mim;

  • Continuar a não ser consensual. Além de impossível, a tentativa é uma perda de tempo e energia.

CONCLUINDO
Fundamentalismos à parte, o importante é mesmo mantermos o foco nas coisas que realmente importam para nós, concentrarmo-nos no que consideramos essencial e dosearmos as redes sociais na nossa vida. 

Não precisamos de ser info-excluídos, mas também não é preciso vivermos em função de... Não é verdade?

Esta experiência, foi sem dúvida enriquecedora a vários níveis e pretendo, sem dúvida, repeti-la todos os meses (não necessariamente o mesmo número de dias).

Ponto negativo nisto tudo:
Como sabem, o Instagram obedece a um algoritmo em muito semelhante ao do Facebook. 

Em traços gerais, como durante todos estes dias não tive qualquer interação na rede, significa que o meu primeiro post depois disto, vai ser mostrado a uma percentagem mínima de seguidores. Mas sabem o que mais? 

Que se lixe! 

"I keep dancing on my own"




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