Autumn





Depois de um verão incrível salpicado de viagens, gelados, passeios, mergulhos, livros e muita música, é altura de recomeçar. 

O outono é isso mesmo, uma época de recomeços.

As férias, para além do efeito terapêutico de nos fazerem relaxar e saborear os dias de uma forma diferente, dão-nos igualmente a capacidade da clareza. De conseguirmos perceber as portas que devemos fechar, para a seguir abrirmos outras.

Numa época em que toda a gente quer ser Blogger, Instagramer, YouTuber, entre outros e onde a palavra "Influencer" nunca esteve tão em voga, confesso-vos que a sensação que tenho atualmente - e tendo eu uma plataforma há quase 8 anos - é de aborrecimento!

Aborrecimento, não pela partilha convosco, pois isso, penso que neste momento é mais intensa do que em 2010, nem tão pouco em termos de criatividade e de ideias.

Aborrecem-me sim, clichés atrás de clichés (e atenção que sou o primeiro a defender que existem clichés simplesmente deliciosos, não sendo a esses que me refiro).

Passo a explicar, imaginem fórmulas repetidas à exaustão. Os mesmo sítios tidos como "cool", as mesmas roupas, poses, a mesma edição. Zero porcento de personalidade, cem porcentro cópia.

Para onde foi toda a criatividade e individualidade?

Será que nos sentimos todos tão sedentos de validação exterior, que precisamos de uma rede de proteção baseada em lugares comuns?

Meus amigos, sintamo-nos, ao invés, inspirados por pessoas, lugares, músicas, livros, o que for. 

Mas não nos esqueçamos nunca da nossa individualidade. Da forma imperfeita de como filtramos e interpretamos o que está à nossa volta. Não há nada pior do que fingirmos paixões para sermos aceites. 

Porquê sermos o cromo número 123.987.987 de uma mesma caderneta, se podemos ser o cromo número 1 de outra caderneta distinta?

Permitamo-nos mais a falhar, a colocar mais energia nas coisas que amamos (mesmo que sejamos os únicos a amar), na forma como criamos ligações com as pessoas (algumas que nem conhecemos pessoalmente, mas que conseguem tocar-nos de uma ou outra forma).

Daqui para a frente:

Vou continuar a cometer erros? Vou. 

Vou continuar a publicar conteúdo que não é consensual? Vou.

Vou continuar a recusar convites de marcas com quem não me identifico? Vou.

Vou continuar a fazer o que me apetece? Vou.


Nunca se deixem avaliar pelo padrão: "fazer com que as pessoas gostem de mim", pois o fracasso é 100% certo. Nem a Nutella consegue ser consensual! (atenção que não estou a fazer publicidade!).

Gostar ou não gostar faz parte da natureza humana e é definido pelas ações dos outros, não pelas nossas próprias ações e tão pouco pelo nosso mérito individual.

A única coisa que podemos controlar é o nosso valor próprio, não o colocando à mercê dos juízos de valores dos outros.

É preciso ter estofo e ter um bom nível de autoconhecimento? Sim. Mas em vez de perdemos tanto tempo a investir em agradar aos outros, porque não investir tempo a sermos versões melhoradas de nós mesmos?

Acima de tudo, temos de procurar viver, sempre, de acordo com o que achamos que faz sentido para nós, independentemente de como as pessoas reagem a isso.

O nosso valor próprio baseia-se sempre nos nossos comportamentos e atitudes, lembrem-se disso.

E que o vosso outono, seja salpicado por coisas boas. Façam por isso. 



PS - Quero agradecer a todos os que votaram em mim nos Influencer Awards 2018 Monaco. Sei que foram muitos e sinto-me cheio de sorte por isso.
Infelizmente, não cheguei à lista dos top 10.
No entanto, o reconhecimento de estar numa lista de apenas 50 selecionados a nível mundial (sendo o único português), encheu-me o coração. Vou continuar a trabalhar por fazer melhor e para vos mostrar o que me inspira, "sem filtros".


Paulo













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